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Caso · Direito Societário

Contratar médicos como PJ elimina o risco trabalhista da clínica?

Contexto

Uma clínica de diagnóstico por imagem no interior de São Paulo contratava seus doze radiologistas por meio das pessoas jurídicas de cada um. Na prática, a clínica definia as escalas sem negociação, exigia exclusividade informal e descontava valores por atraso. Os contratos escritos, quando existiam, eram modelos genéricos assinados anos antes.

O risco

Desde junho de 2026, as ações sobre a validade da contratação por pessoa jurídica voltaram a tramitar nas Varas do Trabalho e nos TRTs, embora o mérito do Tema 1.389 ainda dependa do STF. Os precedentes do Supremo e do CARF favorecem a PJ médica, mas sempre preservam a análise do caso concreto. Escala imposta, punição por atraso e exclusividade formam exatamente o cenário em que o vínculo pode ser reconhecido, com reflexos trabalhistas e previdenciários sobre todo o período.

A estrutura

A revisão separou os médicos pelo perfil real de atuação. Com cada um foi firmado contrato com objeto, preço por produção, possibilidade de substituição por profissional habilitado e ausência de exclusividade. As escalas passaram a ser negociadas e registradas por escrito, e as penalidades por atraso foram substituídas por regras de remanejamento acordadas entre os próprios médicos. O contrato não criou autonomia: documentou a que passou a existir.

O efeito prático

Um dos radiologistas que deixou a clínica ajuizou ação pedindo o reconhecimento de vínculo. Os registros de escalas negociadas, substituições realizadas e atendimentos a outros contratantes permitiram demonstrar autonomia na prestação dos serviços a partir da revisão, e a discussão ficou concentrada no período anterior a ela, em vez de alcançar todo o corpo clínico.

Situação hipotética; não descreve cliente determinado e não antecipa resultado.